25.5.10

Lugares de Nada I

- Tinhas olhos de quem acorda num aeroporto e não sabe se chegou ou se deve ainda partir.

- Esses olhos não existem.

- Trazias o braço esticado para trás, a puxar uma mala que não se via.

- Eu uso sempre mochila.

- Fugias ao olhar de quem cruzavas, apavorada com o banal.

- Mas eu converso nos elevadores.

- Cantavas baixinho, com vergonha de desafinar.

- Quando canto, desafino.

- Soube logo que eras tu.

- Sim, era eu.

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