15.4.14

Susto

Andávamos às almas
Perdidos como nuvens
Secretos como nós
Brincavas aos poemas
E eu a entendê-los
Apontavas para o céu
E eu dizia que sim
As árvores, os patos
E eu dizia que sim
As tuas mãos abertas
Os pés soltos na erva
E o medo contrário
Tão susto de mim
Tu eras o poema
E eu dizia que sim

21.3.14

Retorno


Ando amigado com o espanto
De todas as coisas que não entendo
(e entendo nada de todas as coisas)
Crónico de dias, flores e alguns homens
Como bicho que das palavras um grito
Como livro que das páginas tão branco
(é o silêncio a língua mais difícil)
Quero esquecer tudo inteiro até ao fim
Apontar com um dedo para o espelho
E inventar outro nome para o medo

2.3.14

Arder




Duas da manhã e uma cabeça que estremece

Sem esquecimento ou tremendos ossos dos pés

Só vida a passar por ela, gente, vozes, ideias

que não têm por onde ir e vão rugindo doidas

Chegasse uma vida para tantas ideias soltas

Soubesse o verso do branco como folhas

A dor mentida de um homem que poeta

A dor sentida de um corpo que soletra

É, apesar de tudo, uma hora que se aceita

Que ardam os dedos mas fiquem os anéis



 

 
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