16.7.14

Europa



Andam tão sérias as pedras
Tão calados os pés no chão
Fingem-se homens os homens
E repetem a voz e as mãos
É muito tarde para nascer
Outra vez um outro mundo
Não há lugar para tantas sombras
Nem dias para todas as horas
Se alguém sonhar que me leve
E separe este peso dos ossos
Pergunte à chuva como cai
E ao sopro como faz vento

4.6.14

Poema Escrito Sem a Ajuda de Dor



O rasto de um corpo nos meus lençóis
Um instante que cheira a noite e a café
Algumas palavras soltas que nem importam
O ar que vem de ti, os dedos, os teus pés
Tudo tão simples, tão só isto, afinal
Uma música linda a tocar na gente
Uma queda sem gritos nem chão
Afinal o tempo és tu, e sorrir és tu também
Afinal algumas flores e um fumo lento
Não abras a janela, não digas o teu nome
Que pode o mundo romper por nós

31.5.14

Explicação do Tempo



De todas as formas de medir o Tempo
Só a música se explica aos homens
O coração é dança íntima do corpo
O assobio é uma morte que se aceita
E cantar é ser eterno pela boca

(à noite faltam todos os tambores)

 
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