16.12.14

Ponderabilidade



É fácil ouvir a chuva, sobretudo quando cai
Um pouco como a voz, mas de mais alto
(cerrando os olhos até o pó ganha peso
, pergunta à pele, pergunta ao vento)
Andamos todos a pedir no metro
Mas só os cegos arriscam cantar
De onde sai tanto pó se não da gente?
Temos a pressa de montanhas meninas
Erodidos da vida, penteados pelo tempo
Valha-nos o aquecimento global
Havemos de morrer quentinhos

3.12.14

Diante



O fito de um poema é o silêncio que o termina,
sabem-no os poetas, os leitores, e assim fingem
ler, pensar, julgar, interpretar antes do vazio.
A poesia como o teatro, ou a missa, ou alegrias,
montanhas que subimos para podermos descer,
e tudo o que fazemos, que nos deixa ficar feitos.
Antes de morrer havíamos de viver um bocadinho,
cansarmo-nos, saltar, tirar palavras de uma boca.
Que venha a noite, tremenda, e ainda seja linda.

25.11.14

Retórica



Estou cansado como uma metáfora
Coitadas das pedras, da lua e dos olhos
Gastos de serem duros, um amor, outro amor
Se falassem diriam os nossos nomes
És o João que me acende as horas
Um fogo a outro fogo acendido
E tudo caiu como um Pedro, ou uma Rita
As falésias lendo poemas que só delas
Frescas como essas mulheres tão lindas
Exaustas como homens que ruíssem

 
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