27.1.10
Acordar um Dia XXXIX
26.1.10
Exúvia II
Os
fui e sou uma
de
é tantas
autoriza-se a
a
a
25.1.10
Exúvia I
Chão
Ando nisto de
começou
foi
Ao
os
(
Foi num
olhou
de
21.1.10
"A Recusa" de Franz Kafka
“
“
Franz Kafka
19.1.10
Acordar um Dia XXXVIII
Acordar um dia genuinamente bem disposto. Hoje uma boa percentagem das raparigas está mais bonita do que ontem, entre 10 e 20 por cento. De outras que nada se diga por segredos ou pirraça.
Hoje o sol deixou de ser uma entidade altamente especulativa e ao abrir do estore esperava já colado à janela com cara de garoto.
O homem da portagem assobiava e ria numa impossibilidade de dias normais. Ah essa gente das portagens.
Dias assim há-os às dúzias por todo o lado, mas quem tem tempo, quem se pode permitir o luxo dos dias bons?
14.1.10
Pela Rua um Homem
Ao
O
28.12.09
Acordar um dia XXXVII
Se
11.12.09
Pode-se
foi o
os
A
e
é
Uma
foi
A
O
28.11.09
Todo cheio de espinhas
o
e lembra-se
A
uma
Se alguma
9.11.09
Acordar um Dia XXXVI
a encher a rua em desafio
quero ver ecopontos sem cor para as coisas sem cor que já
“
Ao
“
“A
3.11.09
Nota Pessoal
1.11.09
Rua Escura I

Há
há
Há
onde a
e se
Há
As
De
o
À
e o
(Ilustração de Marco Mendes)
27.10.09
Cosmogonia
Num
Nesse
Flávia
Uma dessas
O
Flávia e Damião foram os
22.10.09
O Coração à Frente
A
A
O
O
O
sabemos
A
vem
A
O
O
Vamos
Somos
somos
o
18.10.09
Acordar um dia XXXV
Nestes
Aos
O
15.10.09
La Nave Va
O
La vita è
La
De toute façon, d’ici on peut bien imaginer la mer.
11.10.09
Cadernos de Perda II
Há
Há
As
8.10.09
Πηνελόπη
Uma
O
Neste
6.10.09
Procura-se III
Coisas que se procuram:
- Sonhos todos novos, por estrear.
- Uma memória com um botão "Apagar" e outro "Escrever por cima".
- Gente como a gente.
- Algum tempo para tratar de assuntos.
- Aquela música que um dia me mostraram e eu já esqueci a letra e a melodia e a cor dos olhos dela.
- Os dias em que os discos tinham um lado B.
5.10.09
Cadernos de Perda
4.10.09
Acordar um Dia XXXIV
2.10.09
Niña en Forma de Recta
La verdad es que ya no era una niña. O mejor, sí, era una niña. Había permanecido así cuando todos los demás habían olvidado lo que eran. Acaso alguien haya dicho "Ella es como es”, y tenía razón.
En cuanto aprendió a mirar decidió hacerlo tan sólo en una dirección, al frente. Todo lo demás era intuido, imaginado, conocido sin necesidad de verlo con sus ojos de mirar al frente. El afuera, el otro, lo diverso, eran para ella un mundo probable y rumoroso hecho de cosas y personas extranjeras, habitantes fantasmas de una realidad que no era la suya. Su mundo estaba allí, ante los ojos claros, sus ojos ceñudos, enfocados en una distancia que no se ve sólo con mirar.
Para la niña todo era simple y recto, lineal. Una variable de partida, otra de llegada y un pendiente personal; no existía nada más. Los que cruzaban su carretera eran para ella pequeños puntos, la intersección de una curva (la curva de una vida hecha de caprichos) y su recta. Los ríos no avanzan rectilíneos porque están condicionados por montes y valles que no saben ignorar, pero la niña cavaba los montes y construía puentes en los valles que no veía, que para ella no existían.
La distancia más corta entre dos puntos es un enorme anhelo. Un anhelo sin distracciones, un anhelo que no baila, que canta siempre la misma música de los días. El resto es espuma y tiempo perdido, un mar parado que se agita sin razones. Le gustaba a la niña la tierra firme donde los pies no resbalan, donde el pasado queda atrás, marcado por las huellas.
El amor le sucedió dos veces a la niña, dos amores fugaces, amores de trazado(1). La primera vez que se enamoró fue de otra recta que condescendió en serle paralela, un amor a una distancia pequeña, pero no desdeñoso. La distancia entre dos manos que casi se tocan, día tras día, casi, siempre casi. La otra vez no le llamó amor, nadie lo hizo, fue un acontecimiento que no aconteció. Una sinusoidal la cruzó diversas veces hasta que se volvió anharmónica, dejando tras de si el trazado de un accidente.
La niña sigue la carretera que debe seguir y no llora y no canta. Quien mira al frente no tiene tiempo para pensar mucho. Una variable de partida y otra de llegada, un trazo recto, casi continuo, casi. Los puntos blancos no le pertenecen, son espacios y tiempos de otros que tal vez un día quieran rellenar. Los anhelos de los otros son anhelos de otros.
Uma bela tradução de Silvia Capón que também é culpada de escrever e o faz muitíssimo bem (textos aqui e aqui).
Para ela um obrigado e um abraço.
29.9.09
Coisas da Rua

27.9.09
Uma Fábula Eleitoral
As
22.9.09
Procura-se II
19.9.09
Menina em Forma de Recta / Bambina in Forma di Retta
Menina em Forma de Recta
A
A
O
A
Bambina in Forma di Retta
La verità è che non era più una vera bambina. O meglio, sì, era una vera bambina. Era rimasta così quando tutti gli altri non sapevano più cosa fossero. Qualcuno avrà detto “lei è cosi com’è” e ha detto bene.
Dal momento in cui imparò a guardare, decise di farlo soltanto in una direzione, avanti. Tutto il resto lo intuiva, lo immaginava, lo conosceva senza doverlo vedere con i suoi occhi fatti per guardare in avanti. Il fuori, l’altro, il diverso erano per lei un probabile e rumoroso mondo fatto di cose e persone straniere, abitanti fantasmi di un mondo oltre, un mondo che non era il suo. Il suo mondo rimaneva li, davanti ai suoi occhi chiari, i suoi occhi stretti, focalizzati al di là di quanto si possa vedere con uno sguardo.
Per la bambina tutto era semplice e retto, lineare. Una variabile di partenza, un’altra di arrivo e una sua pendenza personale; non c’era nient’altro. Quelli che incrociavano la sua strada erano per lei piccoli punti, le intersezione tra una curva (la curva di una vita fatta di capricci) e la sua retta. I fiumi non vanno dritti perché sono costretti da monti e valli che non sanno ignorare, ma la bambina rompeva i monti e costruiva ponti sulle valli che non vedeva, che non erano per lei.
La distanza più corta tra due punti è una voglia immensa. Una voglia senza distrazione, una voglia che non balla, che canta sempre la stessa musica dei giorni. Il resto è schiuma e tempo perso, un mare fermo che si agita senza perché. Alla bambina piaceva la terra ferma dove i piedi non scivolano, dove il passato rimane dietro, segnato dalle impronte.
Per due volte l’amore accadde alla bambina, due amori veloci, amori di percorso. La prima volta che si innamorò fu per un’altra retta che acconsentì di esserle parallela, un amore a una distanza piccola, ma non trascurabile. La distanza tra due mani che quasi si toccano, giorno dopo giorno, quasi, sempre quasi.
L’altra volta lei non lo chiamò amore, nessuno lo chiamò, fu un avvenimento che non avvenne. Una sinusoide la intersecò diverse volte finché diventò anarmonica, lasciandosi dietro il tratteggio tipico di un incidente.
La bambina segue la strada che deve seguire e non piange e non canta. Chi guarda avanti non ha tempo per pensare troppo. Una variabile di partenza e un’altra di arrivo, una traccia dritta quasi continua, quasi. I punti bianchi non le appartengono, sono spazi e tempi di altri che un giorno potranno anche riempirli. La voglia degli altri è una voglia di altri.
14.9.09
Acordar um Dia XXXIII
10.9.09
Procura-se
7.9.09
Mariana (Quarta e Última Parte)
A partir desse momento tudo mudou. Essa consciência do inevitável, da punição infalível, mudou a perspectiva e amainou exaltações. Estávamos juntos, para o melhor e para o pior, na vida (minha) e na morte (sua). Ela era como era e eu também assim, restava-nos baixar as cabeças e puxar o jugo. Talvez aprendêssemos a assobiar baixinho e a chorar como quem respira, sem pensar no gesto nem saber porquês.
Os tempos que se seguiram fizeram-se de compromissos. A voz da Mariana continuou estridente, mas tornou-se contida, quase serena. Começou também a cuidar a linguagem, evitando certas palavras e usando outras que me vai ouvindo. Deixou os lamentos e os protestos e passou a falar de coisas que sente, de memórias de infância e da aldeia que deixou um dia.
Por vezes dá-me conselhos e diz-me que está tudo bem, outras vezes fica ali calada a sorrir porque me pesa os cansaços. Em troca eu tento enriquecer-lhe os sonhos. Leio histórias românticas que são do seu agrado e sigo a telenovela das nove. Comecei também a perguntar aos meus colegas coisas da vida deles, dos filhos, das mulheres e os filmes que têm visto, ah, os filmes. Vamos ao cinema duas vezes por semana, ao início era um filme para mim (sem beijos) e outro para ela (sem complicações), ultimamente começa a ser difícil distinguir.
A Mariana apresentou-se há exactamente dois anos, mais ou menos. Depois foi o que se viu. Acabámos por nos tornar numa espécie de casal quase vulgar e quase feliz. Como tantos, não todos. Talvez gostemos mesmo um do outro, talvez tenhamos descoberto um tesão impossível e assim inesgotável. Talvez sejamos uma simbiose necessária de vida e morte, dia e noite, ser e não ser.
Se eu já pensei? Já. Um frasquinho de comprimidos às cores e a janela aberta para o gato procurar outra casa. Partiríamos os dois para mundos que não conhecemos. Pensei nisso várias vezes, mas tenho dúvidas. Desconfio do além e não me quero pôr nas mãos de Um Qualquer. E depois quem me garante que eu a encontro, que ela existe fora de mim? Que outro mundo me poderia servir se eu nunca cheguei a perceber este, assim finito e cheio de homens? Enquanto penso nisto o gato olha para mim. Ele que também sabe coisas.
5.9.09
Mariana (Terceira Parte)
Que diz um homem às cinco da manhã deitado na cama receando adormecer? Um homem que treme com medo de uma ex-prostituta ex-viva sem papas na língua e com deficiências gramaticais?
Um homem faz perguntas, perguntas que são só uma: Porquê a mim? De todos os clientes da Mariana Marlene, por que fora eu o escolhido para cumprir a punição? Que poderia justificar uma tal arbitrariedade?
Sempre fui um homem discreto, incapaz de incomodar Deus com ofensas ou rogos, e Ele respondera da mesma forma, sem nenhum milagre ou praga a assinalar, mas agora isto... Perguntei bem alto uma e outra vez, porquê eu? Não me dirigia ao Altíssimo mas sim à Mariana, se me ouvia em sonhos talvez se dignasse a responder numa próxima oportunidade. Por essa altura eu estava certo que haveria outras oportunidades.
A resposta chegou à tarde, durante uma sesta no gabinete. Incapaz de aguentar o corpo entreguei-o por breves instantes ao cadeirão em pele. Foi quanto bastou. “É que o Mário não sabe... posso chamar-lhe só Mário? Mesmo que não pudesse, eu chamo-lhe o que quiser e mais nada, olarilas. O que o Mário não sabe e nem adivinha é que foi o meu primeiro cliente, ah pois foi, o primeirinho... eu tinha vindo da aldeia, e nem sabia ao que vinha, foi o senhor Antunes é que tratou de tudo... um sabidão, um safardolas que conhecia mais desta vida do que o padre da missa, olarilas. Eu acabadinha de chegar da aldeia e ele a dar-me as roupitas de andar na vida. Tens de ir ver um senhor, fazes assim e assado e boca calada que ninguém te paga para andares a tocar corneta, ouviste minha linda? E eu lá fui e assim foi. O meu primeiro cliente... e olhe, antes o senhor que outro, que depois de si foram muitos e quase todos piores e mais porcos. Ao menos o senhor era de respeito, não sei se é da picha curta ou quê, mas pelo menos era de respeito...”
Fiquei esclarecido. Fiquei também desesperado e mortificado, mas esclarecido. Um gesto de fraqueza irreflectido, um número de telefone marcado e eis-me com a existência entrelaçada a uma mulher que eu tinha descartado juntamente com o tesão. São sempre os tesões a tramar as vidas dos homens. Uma pessoa estuda e trabalha e acredita em ideias e afinal a vida vai guiada por um pedaço de carne que não conhece a razão nem vontades que não são as suas.
(Continua)
4.9.09
Mariana (Segunda Parte)
O duche lavou-me o
Voltei
Eram muitas as
(Continua)
3.9.09
Mariana (Primeira Parte)
Era uma
A
Agora
Falou-me de
(Continua)
2.9.09
Dois Contos Dois
1.9.09
Um Crer Assim Tanto
O
Ficou surpreendida