Acordar um dia com o inferno dentro da gente, virar-se para o lado e abrir os olhos e abrir a boca.
“Anda cá menina, vem ver o inferno a arder”.
Ao lado não dorme ninguém que saiba rir do apocalipse, fica tudo suspenso.
Viver é andar todos os dias à caça de gente e a fugir da dor.
“Anda cá menina, anda ver o que por aqui vai”.
Por dentro está tudo feito em carvão, não há nada que sirva.
Ando há muito tempo amigado com o diabo. Vai de retro Satanás, um dois, dois passinho para o lado, três quatro, uma volta pela esquerda, palminhas mãos ao ar.
“A dor dança-se assim, menina”.