25.11.14

Retórica



Estou cansado como uma metáfora
Coitadas das pedras, da lua e dos olhos
Gastos de serem duros, um amor, outro amor
Se falassem diriam os nossos nomes
És o João que me acende as horas
Um fogo a outro fogo acendido
E tudo caiu como um Pedro, ou uma Rita
As falésias lendo poemas que só delas
Frescas como essas mulheres tão lindas
Exaustas como homens que ruíssem

11.11.14

1:39 a.m.



Algumas noites não passam nunca, nunca
Estou ainda numa quarta-feira, Janeiro 2002
Acordado e doente de Maio de um ano sinistro
Noites cicatrizes, manchas, traumatismos
Noites que são falta de ar no peito, no corpo
escuro a crescer, comendo, correndo a sangue
Noites em que se morre de todas as vezes
as muitas madrugadas que não viram o sol
Espera, delírio, amores que não cumpriram
(são nocturnos os amores que não se cumprem)
É raro dormir, como é raro estar desperto
Leio, mexo em mim, grito, (não, não grito)
E sobra-me sempre tanto do que é escuro
E tenho muitas mais noites do que dias

30.10.14

manuscrita






a mão é uma forma de poesia com dedos
que nasce às vezes na ponta de um braço
é muito difícil escrever uma mão do nada
falta sempre sangue, carne ou algum osso
sobram ideias, começos e meias noites
há mãos abertas, fechadas e assim-assim
e servem para comer, fumar e dizer adeus
(há quem as leia por não ter mais que ler)
os poetas têm quase todos duas mãos
uma que mostra o que a outra esconde


 
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