7.11.10
Um Grande Escritor
28.10.10
Acordar um Dia XLII
Saio à rua sem o futuro e vejo outros como eu. Alguns escondem a pilinha por detrás de ideias muito esfarrapadas, outros riem, há quem voe como se nada importasse.
Vêm senhores de outros países olhar para a gente, dão-nos moedas e nós bebemo-las porque não temos bolsos nem temos nada. Os senhores dão-nos beijinhos na melancolia e depois partem porque se faz tarde. Nós ficamos, porque somos daqui, porque sublimámos o tempo à força de o não ter.
26.10.10
A Dar Com o Sol
27.9.10
Mano a Mano
12.9.10
Sabes da Areia?
Cruzinha
7.7.10
Uma Esquina
30.6.10
O Lopes
18.6.10
Obrigado
15.6.10
Retrato III
Ele que fala de coisas dele, de bola pois, do carro pois, do governo pois. As frases são escalas que começam graves e sobem aos agudos da indignação. Tanta indignação.
Ela diz que sim longe dali, a filha pois, a casa pois, o amante pois.
Nas esplanadas de domingo estendem-se as almas ao sol.
12.6.10
Conto de Dar aos Dedos
10.6.10
Acordar um dia XLI
Dar-me a cheirar às flores e ladrar aos cães porque apetece.
Subir a uma escada e abrir os braços para fazer sombra às árvores.
Soprar no vento e cantar aos pássaros.
Deixar que o chão me percorra os pés.
Uma vez por outra é bom que o mundo se divirta.
8.6.10
Lugares de Nada III
3.6.10
Os Relógios
2.6.10
Lugares de Nada II
- Foste outra vez ao "Reino da Picanha" do centro comercial?
- ...
- A textura e os pormenores não serão manchas de gordura?
- Noto também que nessas circunstâncias acabo por odiar toda a gente ou então amá-los a todos, como se fossem um primo por afinidade.
- Ninguém tem amor por um primo afim.
- Sim, mas refreamo-nos e não lhe espetamos a faca de cortar carne.
- ...
- ...
- Devias passar a comer em companhia.
- Devia passar a comer sandes.
27.5.10
Retrato II
Tem os dentes arrumados com o corpo e sai à rua com as pernas de trazer por casa.
A mulher que é meio casal não vai ao cinema nem toma café no singular. Porque é tola, esposa e talvez mãe.
26.5.10
Retrato I
25.5.10
Lugares de Nada I
- Tinhas olhos de quem acorda num aeroporto e não sabe se chegou ou se deve ainda partir.
- Esses olhos não existem.
- Trazias o braço esticado para trás, a puxar uma mala que não se via.
- Eu uso sempre mochila.
- Fugias ao olhar de quem cruzavas, apavorada com o banal.
- Mas eu converso nos elevadores.
- Cantavas baixinho, com vergonha de desafinar.
- Quando canto, desafino.
- Soube logo que eras tu.
- Sim, era eu.
21.5.10
Procura-se IV
20.5.10
Acordar um Dia XL
27.1.10
Acordar um Dia XXXIX
25.1.10
Exúvia II
Os
fui e sou uma
de
é tantas
autoriza-se a
a
a
Exúvia I
Chão
Ando nisto de
começou
foi
Ao
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olhou
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20.1.10
"A Recusa" de Franz Kafka
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Franz Kafka
19.1.10
Acordar um Dia XXXVIII
Acordar um dia genuinamente bem disposto. Hoje uma boa percentagem das raparigas está mais bonita do que ontem, entre 10 e 20 por cento. De outras que nada se diga por segredos ou pirraça.
Hoje o sol deixou de ser uma entidade altamente especulativa e ao abrir do estore esperava já colado à janela com cara de garoto.
O homem da portagem assobiava e ria numa impossibilidade de dias normais. Ah essa gente das portagens.
Dias assim há-os às dúzias por todo o lado, mas quem tem tempo, quem se pode permitir o luxo dos dias bons?
14.1.10
Pela Rua um Homem
Ao
O


